Por: Jânio Santos de Oliveira
Pastor e professor da Igreja evangélica Assembléia de Deus em Santa Cruz da Serra
Pastor Presidente: Eliseu Cadena
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Meus amados e queridos irmãos em Cristo Jesus, a Paz do Senhor!
Vamos abrir a Palavra de Deus que se encontra no evangelho de Mateus 6.25 - 34 que nos afirma:
25 Por isso vos digo: Não andeis ansiosos quanto à vossa vida, pelo que haveis de comer ou pelo que haveis de beber; nem quanto ao vosso corpo, pelo que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o mantimento, e o corpo mais do que o vestuário?
26 Olhai para as aves do céu, que nem semeiam, nem segam, nem ajuntam em celeiros; e vosso Pai celestial as alimenta. Não tendes vós muito mais valor do que elas?
27 E qual de vós poderá, com todos os seus cuidados, acrescentar um côvado à sua estatura?
28 E, quanto ao vestuário, por que andais ansiosos? Olhai para os lírios do campo, como eles crescem; não trabalham nem fiam;
29 E eu vos digo que nem mesmo Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles.
30 Pois, se Deus assim veste a erva do campo, que hoje existe, e amanhã é lançada no forno, não vos vestirá muito mais a vós, homens de pequena fé?
31 Não andeis, pois, inquietos, dizendo: Que comeremos, ou que beberemos, ou com que nos vestiremos?
32 Porque todas estas coisas os gentios procuram. Decerto vosso Pai celestial bem sabe que necessitais de todas estas coisas;
33 Mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.
34 Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal.
Resumo da matéria sobre a falsa teologia da prosperidade
I. Principais Argumentos sobre a "Farsa" da Prosperidade.
II. A origem moderna da falsa teologia da prosperidade.
III. Como funciona a teologia da prosperidade?
IV. Os cinco Erros da Teologia da Prosperidade.
V. A falsa teologia da prosperidade nos dias de Jó.
VI. O conceito dos fariseus e a teologia da prosperidade.
VII. Jesus confrontou a teologia da prosperidade.
VIII. Igrejas que pregam a teologia da prosperidade.
IX. Os equívocos da teologia da prosperidade.
X. Os perigos da falsa teologia da prosperidade.
A Teologia da Prosperidade é amplamente considerada uma deturpação do Evangelho, que condiciona a bênção divina a contribuições financeiras (dízimos e ofertas), prometendo riqueza material e saúde em troca. Focada no ganho material, essa doutrina neopentecostal transforma a fé em transação comercial, culpabilizando o fiel pela pobreza e ignorando a soberania de Deus.
I. Principais Argumentos sobre a "Farsa" da Prosperidade.
Evangelho Transacional: Trata Deus como um banqueiro celestial, onde fé e ofertas são "sementes" para colher retorno financeiro, o que contradiz o conceito de graça.
1. A Culpabilização do Pobre.
Se o fiel não prospera, a culpa é atribuída à sua falta de fé, e não a fatores socioeconômicos, gerando opressão.
Contradição Bíblica: A Bíblia retrata heróis da fé que sofreram perseguições e privações, diferentemente da ideia de saúde e riqueza incondicionais.
Origem e Expansão: A corrente surgiu nos EUA no século XIX e foi popularizada no Brasil na década de 1970, com figuras como Edir Macedo, focando na mercantilização da fé.
2. Foco no Capitalismo Neoliberal.
A teologia age como uma ferramenta ideológica que valoriza a riqueza material acima da espiritualidade e da mensagem cristã.
Críticos apontam que essa doutrina é um "falso evangelho", focado no acúmulo de bens e não na mensagem de salvação, desviando os fiéis do verdadeiro propósito da fé cristã
II. A origem moderna da falsa teologia da prosperidade.
A teologia da prosperidade teve sua origem na década de 40 nos Estados Unidos, seus principais mentores foram Kenneth Hagin, Kenneth Copeland, Essek William Kenyon e outros. No Brasil a teologia da prosperidade chegou na década de 70 e foi promovida principalmente pelas igrejas neopentecostais. Começou com um movimento pequeno, mas sutilmente foi conquistando adeptos e tornando-se cada vez mais uma realidade no contexto religioso.
Observe alguns estragos que são possíveis contabilizar depois de anos de disseminação dessa teologia catastrófica:
1- Descaracterizou a missão da igreja –
Observe que os adeptos dessa teologia desconhecem a missão integral da Igreja e quando falam de almas associam com números financeiros. Cada vez mais são raras as agencias, ministérios ou promotores missionários. A moda atual são ministérios da benção, prosperidade ou multiplicação. Ninguém mas fala que o Brasil será o celeiro missionário do mundo, a mensagem da prosperidade é que seremos todos ricos e abastados.
2. Destruiu a esperança no céu.
Como a teologia da prosperidade objetiva promover o paraíso na terra, os crentes não se preocupam mais com as bem aventuranças do céu. Raramente se houve falar em arrebatamento, vida eterna, ou esperança da Glória em Cristo.
3. Relativizou a urgência do amor .
Uma vez que, o individuo é o centro do culto na teologia da prosperidade, o amor ao próximo é secularizado.
4. Exaltou o materialismo.
Um dos princípios da teologia da prosperidade é que o sucesso material é sinônimo de comunhão com Deus, de modo que, contraria o espírito do Evangelho de Cristo.
5. Instituiu o culto ao egocentrismo.
A centralidade da teologia da prosperidade é o bem estar do homem e não a vontade de Deus.
6. Banalizou a ortodoxia e a hermenêutica bíblica.
Para fundamentar suas heresias e farsas, os ministros da prosperidade retiram textos dentro do contexto, criando pretextos para difundirem suas fabulas. É no mínimo lamentável observar pregadores da prosperidade banalizarem os princípios básicos da interpretação bíblica.
O meu objetivo não é fazer apologia a pobreza, mas simplesmente refletir sobre os estragos que são provocados quando as prioridades determinadas pelo evangelho são substituídas. Apenas a titulo de lembrança, Jesus disse – Buscai primeiro o Reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas, Mt 6.33. De modo que, poderia acrescentar mais um tópico aos estragos da teologia da prosperidade
7. Buscam primeiro as demais coisas, e o reino de Deus é acrescentado.
III. Como funciona a teologia da prosperidade?
Esta falsa teologia funciona como um sistema em pirâmide
O Que é um Sistema em Pirâmide?
Primeiro Passo: Um empresário maneiro quer ganhar muito dinheiro.
Digamos que esse empresário diz à duas velhinhas que se elas venderem o “Uau-Mas-Que-Farsa 3000” dele, elas podem ganhar algum dinheiro para pagar suas contas no petshop. Isso vai custar a elas um investimento inicial de $401,76. E sim, o Uau-Mas-Que-Farsa 3000 é, na verdade, um truque. Mas tudo bem, de qualquer forma, não se trata, realmente, de vender o produto; trata de se recrutar mais vendedores.
Segundo Passo: Estas duas velhinhas recrutam mais velhinhas, e lhes contam a mesma lengalenga.
Terceiro Passo: Em algum momento, as pessoas percebem que ninguém quer comprar o Uau-Mas-Que-Farsa 3000, e que ninguém está realmente vendendo qualquer Uau-Mas-Que-Farsa 3000.
Todo o dinheiro que entra está indo diretamente para o topo. Enquanto isso, o empresário maneiro está em seu escritório, gargalhando, e nadando em maços de dinheiro.
Isso é um sistema em pirâmide.
Três Formas em que a Teologia da Prosperidade se Encaixa no Sistema em Pirâmide
O que essa descrição tem a ver com o livro daquele pastor da prosperidade? Tudo, porque a teologia da prosperidade é muito semelhante ao sistema em pirâmide em pelo menos três aspectos.
1. É baseada no sucesso enganoso do cara que está no topo.
Eu fui enganado pela cilada do pastor da prosperidade, da mesma forma como as pessoas são enganadas pelos sistemas em pirâmide. Eles veem o sucesso do cara que está no topo, e pensam: Isso está funcionando para ele, não é?
Sim, está, porque alguém pagou pela casa daquele pastor. Eu! Eu paguei, quando comprei seu livro. E assim acontece com milhares de outras pessoas, quando elas trazem enormes quantidades de capital de arranque à sua porta, todo fim de semana. Em outras palavras, as pessoas que financiam o sucesso do pastor da prosperidade são as que estão na base da pirâmide. Claro que está dando certo para ele. Ele está no topo.
2. É uma mentira contada a pessoas desesperadas.
Como um sistema em pirâmide, a teologia da prosperidade alimenta-se de quem está na pior.
A teologia da prosperidade não é apenas teologia ruim. É uma forma de opressão.
3. Alimenta nossa idolatria.
Assim como o sistema em pirâmide, a teologia da prosperidade não exige necessariamente que as pessoas estejam desesperadas financeiramente. Só é preciso pessoas que sejam suficientemente idólatras. Nós não caímos em sistemas em pirâmide porque somos estúpidos. Caímos neles porque queremos cair neles. Nós queremos o dinheiro, a saúde, e a estima que eles oferecem, e queremos isso rápido. Queremos crer que tudo pode acontecer com o apertar de um “botão da fé” em nossos cérebros. Queremos isso desesperadamente.
Nunca me esquecerei da vez em que desafiei as noções de prosperidade de minha amiga, citando a vida do apóstolo Paulo. Ela me respondeu: “Bem, Paulo não tinha fé suficiente.” Isso é o que os sistemas em pirâmide fazem: Sujeitam-nos aos nossos ídolos. Em seguida, nos cegam para qualquer coisa que nos alerte de que estamos sendo enganados, não importa o quão óbvio seja.
Promessas Reais de Jesus
Não me interpretem mal: Eu creio, de todo coração, que Deus quer me abençoar. Creio que Deus me favorece. Creio que Ele quer que eu tenha a melhor vida possível. Mas creio também que as boas novas de Jesus são muito melhores do que a teologia da prosperidade. A teologia da prosperidade sobe nas pessoas; Jesus desce para nos amparar. A teologia da prosperidade oprime os pobres; Jesus se identifica com os destituídos. A teologia da prosperidade alimenta nossa fábrica de ídolos; Jesus a esmaga com a perspectiva de Sua glória.
As verdadeiras boas novas são estas: Os sonhos de Jesus para nós são muito mais significativos do que a busca por saúde, riqueza e sucesso pessoal. Jesus não oferece auto-estima; Ele oferece a estima de Deus, quando desistimos da auto-aceitação (Mt 5.3). Ele não oferece positividade; Ele oferece o conforto intenso de Deus quando somos abatidos pelo pecado (Mt 5.4). Ele não oferece a casa mais legal da vizinhança; Ele oferece esperança na ressurreição, quando renunciamos ao poder pessoal (Mt 5.5). E Ele não oferece o “favor sobrenatural” dos outros, mas em vez disso, o favor eterno de Deus, quando somos desprezados por Sua causa (Mt 5.10-12).
Jesus é um Deus melhor, um Deus mais significativo. Ele não é um negociante, de pé, no topo da pirâmide, nos prometendo as riquezas do mundo. Ele é um Deus que desce para a base da pirâmide. Ele se deita na poeira e abre os braços na cruz, onde a saúde, a riqueza e a abundância não estão por perto, para, assim, nos oferecer Suas riquezas.
IV. Os cinco Erros da Teologia da Prosperidade.
Não importa o nome é usado, a essência da mensagem é a mesma. De maneira simples, a teologia da prosperidade ensina que Deus quer que os cristãos sejam fisicamente saudáveis, materialmente ricos e pessoalmente felizes.
Veja as palavras de Robert Tilton, um dos porta-vozes mais conhecidos desse ensinamento: “Creio que é da vontade de Deus que todos prosperem porque é isso o que vejo isso na Palavra, e não porque isso tenha funcionado maravilhosamente para alguém. Eu não ponho meus olhos em homens, mas no Deus que me dá poder para obter riquezas”. Mestres da teologia da prosperidade incentivam seus seguidores a pedir e até mesmo exigir de Deus prosperidade material.
Cinco Erros Teológicos
Ao conhecer esses erros relacionados a algumas doutrinas fundamentais, espero que você perceba os perigos da teologia da prosperidade com clareza.
1. A Aliança Abraâmica é um Meio para Direitos Materiais
A aliança com Abraão (Gn 12, 15, 17 e 22) é uma das bases teológicas da teologia da prosperidade. É bom que os teólogos da prosperidade reconheçam que grande parte da Escritura registra o cumprimento da aliança com Abraão, mas é ruim que eles não encarem esse pacto de um ponto de vista ortodoxo. Eles compreendem de forma incorreta o início da aliança; ou melhor compreendem a aplicação do pacto de forma incorreta.
Em seu livro “Spreading the Flame [Alastrando a Chama] (Zondervan, 1992), Edward Pousson vê o pacto abraâmico do ponto de vista da prosperidade: “Os cristãos são filhos e herdeiros das bênçãos espirituais da fé de Abraão. (…) Essa herança abraâmica se traduz principalmente em termos de direitos materiais”. Em outras palavras, a teologia da prosperidade ensina que o objetivo principal de Deus na aliança com Abraão era abençoá-lo materialmente. Uma vez que os que creem são filhos espirituais de Abraão, herdamos essa bênção financeira. Como Kenneth Copeland escreveu em seu livro de 1974, “As Leis da Prosperidade”: “Uma vez que a aliança de Deus foi estabelecida e a prosperidade é uma provisão desse pacto, você precisa perceber que, agora, a prosperidade lhe pertence!”.
Para apoiar essa reivindicação, os mestres da prosperidade apelam para Gálatas 3.14, o qual se refere à “bênção de Abraão [que chega] aos gentios em Jesus Cristo”. É interessante, no entanto, que nesse apelo a Gálatas 3:14, esses mestres ignoram a segunda metade do versículo: “a fim de que recebêssemos, pela fé, o Espírito prometido”. Paulo está, de forma clara, lembrando aos gálatas da bênção espiritual da salvação, e não da bênção material da riqueza.
2. A Expiação de Jesus Estende-se ao “Pecado” da Pobreza Material
Em seu artigo “A Theological Evaluation of the Prosperity Gospel” [Uma avaliação teológica do evangelho da prosperidade], publicado no periódico “Bibliotheca Sacra”, o teólogo Ken Sarles observa como o evangelho da prosperidade afirma que “tanto a cura física como a prosperidade financeira foram previstas na expiação”. Essa parece ser a observação precisa à luz da declaração de Copeland de que “o princípio básico da vida cristã é saber que Deus colocou o pecado, a doença, a dor, o sofrimento e a pobreza sobre Jesus, no Calvário”. Esse entendimento errôneo sobre o escopo da expiação decorre de dois erros cometidos pelos defensores do evangelho da prosperidade.
Em primeiro lugar, muitos dos que apoiam a teologia da prosperidade se equivocam num ponto fundamental quanto à vida de Jesus. Por exemplo, o professor John Avanzini declarou em um programa da emissora TBN que Jesus teve “uma casa boa”, “uma casa grande”, que ele “tinha grande quantidade de dinheiro” e até que ele “usava roupas de grife”. É fácil perceber como uma visão tão distorcida da vida de Cristo pode levar a um entendimento igualmente distorcido quanto à morte de Cristo.
Um segundo erro que gera um conceito defeituoso sobre a expiação está na má interpretação de 2 Coríntios 8.9, que diz: “pois conheceis a graça de nosso Senhor Jesus Cristo, que, sendo rico, se fez pobre por amor de vós, para que, pela sua pobreza, vos tornásseis ricos”. Enquanto uma leitura superficial deste versículo possa levar à crença de que Paulo ensinava sobre o aumento da riqueza material, uma leitura contextualizada revela que ele ensinava, na verdade, o princípio oposto. De fato, Paulo ensinava aos coríntios que, por Cristo ter realizado tanto para eles através da expiação, eles deveriam esvaziar-se de suas riquezas a serviço do Salvador. É por isso que apenas cinco pequenos versos depois, Paulo insta os coríntios a darem suas riquezas aos seus irmãos, necessitados, escrevendo: “[supra] a vossa abundância, no presente, a falta daqueles” (2Co 8.14).
3. Cristãos Ofertam a fim de Obter Compensação Material da Parte de Deus
Uma das características mais marcantes dos teólogos da prosperidade é a sua aparente fixação sobre o ato de ofertar. As pessoas são instadas a ofertar generosamente, confrontadas com declarações piedosas como: “A verdadeira prosperidade é a capacidade de usar o poder de Deus para atender as necessidades da raça humana em qualquer esfera da vida”, ou “Fomos chamados para financiar o evangelho ao mundo”. Ainda que tais declarações pareçam louváveis, essa ênfase na oferta está baseada em motivos que são tudo, menos filantrópicos. A força motriz por trás desse ensinamento sobre a oferta é o que pregador da prosperidade Robert Tilton chamava de “lei de compensação”. De acordo com essa lei — supostamente baseada em Marcos 10.30 — os cristãos devem dar generosamente aos outros porque quando o fazem, Deus retribui com mais. Isso conduz a um ciclo de crescente prosperidade.
Como Gloria Copeland coloca em seu livro “God’s Will is Prosperity” [A Vontade de Deus É a Prosperidade], publicado em 2012: “Dê dez e receba mil; dê mil e receba cem mil. […] Em suma, Marcos 10.30 é um investimento muito bom”. Portanto, fica evidente que a doutrina sobre a oferta, defendida pela teologia da prosperidade, está construída sobre motivos defeituosos. Enquanto Jesus ensinou seus discípulos a darem sem esperar nada em troca (cf. Lc 10.35), os teólogos da prosperidade ensinam seus discípulos a ofertar para receber um grande retorno.
4. A Fé é uma Força Espiritual Autogerada que Leva à Prosperidade
Enquanto o cristianismo ortodoxo entende que fé é confiar na pessoa de Jesus Cristo, os mestres da prosperidade defendem algo completamente diferente. “A fé é uma força espiritual, uma energia espiritual, um poder espiritual. É essa força de fé que faz as leis do mundo espiritual funcionarem”, escreve Copeland em “As Leis da Prosperidade”. “Há certas leis reveladas na Palavra de Deus que regem a prosperidade. A fé as coloca em funcionamento”. Essa é uma compreensão deformada, talvez até mesmo herege, a respeito da fé.
De acordo com a teologia da prosperidade, a fé não é um ato de vontade concedido por Deus, centrado em Deus. Pelo contrário, é uma força espiritual forjada pelo homem e dirigida a Deus. Na verdade, qualquer teologia que encara a fé principalmente como meio de ganho material em vez de justificação diante de Deus deve ser julgada inadequada, na melhor das hipóteses.
5. A Oração é uma Ferramenta para Forçar Deus a Conceder Prosperidade
Pregadores da teologia da prosperidade muitas vezes notam que “Nada tendes, porque não pedis” (Tg 4.2). Eles encorajam as pessoas a orar pelo sucesso pessoal em todas as áreas da vida. Como Creflo Dollar escreve: “Quando oramos, crendo que já recebemos o que estamos pedindo, Deus não tem escolha a não ser atender nossa oração. (…) Essa é a chave para o cristão obter resultados”.
Orar pedindo bênçãos pessoais não está inerentemente errado, é claro, mas a ênfase excessiva do evangelho da prosperidade sobre o homem transforma a oração em uma ferramenta que o crente pode usar para forçar Deus a atender seus desejos. Dentro da teologia da prosperidade, o homem, e não Deus, se torna o ponto focal da oração. Curiosamente, os pregadores da prosperidade muitas vezes ignoram a segunda metade do ensino de Tiago sobre a oração: “pedis e não recebeis, porque pedis mal, para esbanjardes em vossos prazeres (Tg 4.3). Deus não atende pedidos egoístas que não honram seu nome.
Certamente todos os nossos pedidos devem ser colocados diante de Deus (Fp 4.6), mas a teologia da prosperidade se concentra tanto nos desejos do homem que pode levar as pessoas a fazerem orações egoístas, superficiais e banais que não trazem glória a Deus. Além disso, quando combinada com a doutrina da prosperidade sobre a fé, esse ensinamento pode levar as pessoas a tentarem manipular Deus para conseguirem o que querem — uma tarefa inútil. Isso está muito longe de pedir “seja feita a sua vontade”.
Evangelho Falso
À luz da Escritura, a teologia da prosperidade é fundamentalmente falha. No fundo, é um falso evangelho por causa de sua visão defeituosa da relação entre Deus e o homem. Simplificando, se a teologia da prosperidade é verdadeira, então a graça é obsoleta, Deus é irrelevante, e o homem é o padrão de todas as coisas. Seja falando do pacto abraâmico, da expiação, da fé, ou da oração, os teólogos da prosperidade transformam a relação entre Deus e o homem em uma transação quid pro quo, ou seja, uma troca. Como James Goff observou em um artigo de 1990 para a revista “Cristianismo Hoje”, Deus é “reduzido a uma espécie de ‘servente cósmico’, atendendo as necessidades e os desejos de sua criação”.
Essa é uma visão totalmente inadequada e antibíblica da relação entre Deus e o homem.
V. A falsa teologia da prosperidade nos dias de Jó.
A falsa teologia da prosperidade nos dias de Jó, personificada por seus amigos, defendia a "teologia da retribuição", onde a riqueza indicava bênção e a miséria era castigo divino por pecado. A narrativa de Jó combate essa ideia ao mostrar um homem íntegro perdendo tudo, provando que a fidelidade não garante prosperidade material e que o sofrimento não é necessariamente fruto de pecado.
A "Teologia da Retribuição" (Amigos de Jó): Elifaz, Bildade e Zofar acreditavam que se Jó sofria, ele deveria ter pecado gravemente, pois Deus, segundo eles, prospera apenas os justos.
O Erro no Contexto de Jó: Jó refuta a visão de seus amigos de que a riqueza é um indicador automático de piedade e que o sofrimento é um sinal de pecado.
A Realidade Bíblica: A história demonstra que Jó foi um homem íntegro e reto, temia a Deus e se desviava do mal, mesmo na pobreza e na dor.
Contradição com a Prosperidade Moderna: A teologia da prosperidade atual, que associa fé à riqueza, é combatida pela experiência de Jó, que permaneceu fiel a Deus sem receber bens materiais em troca durante sua provação.
A Posição Divina: No final do livro, Deus repreende os amigos de Jó por não falarem a verdade sobre Ele, confirmando que a visão deles sobre a relação entre dor e pecaminosidade estava incorreta.
A "falsa teologia" em Jó consiste em tentar manipular Deus, acreditando que a obediência deve resultar automaticamente em prosperidade material.
VI. O conceito dos fariseus e a teologia da prosperidade.
Embora separados por milênios, compartilham semelhanças notáveis na forma como estruturam a relação entre Deus e os fiéis, frequentemente focando na obediência exterior, mérito e retribuição material.
Abaixo estão os pontos de conexão e as características de cada um:
O Conceito dos Fariseus
Os fariseus eram um grupo religioso-político no judaísmo do Segundo Templo, conhecidos pela sua rigorosa observância da Lei mosaica e das tradições orais.
Justiça Exterior e Aparências: Focavam excessivamente no cumprimento ritualístico (jejum, lavagens, dízimos minuciosos) e no reconhecimento público da sua piedade.
Legalismo e Mérito: Acreditavam que a salvação e o favor de Deus eram conquistados pela obediência rígida à Torá.
Hipocrisia: Jesus criticou severamente os fariseus por valorizarem regras humanas acima da justiça, misericórdia e fé.
Avareza: Alguns relatos indicam que, apesar da aparência religiosa, eram apegados ao dinheiro e exploravam os vulneráveis, como viúvas.
A teologia da prosperidade (ou evangelho da prosperidade) é uma vertente moderna que prega que Deus deseja que os fiéis sejam ricos, saudáveis e bem-sucedidos financeiramente.
Confissão Positiva: Ensinam que falar palavras de fé e visualizar a prosperidade "força" Deus a agir.
Barganha com Deus (Dízimos e Ofertas): A doação financeira é vista como uma semente para colher prosperidade material, com foco emocional no acúmulo de bens.
Triunfalismo: Acredita-se que o verdadeiro cristão não passa por dificuldades financeiras ou doenças; a pobreza é vista como sinal de falta de fé ou desobediência.
Exploração: Frequentemente, líderes dessa corrente enriquecem às custas da situação precária dos fiéis.
Conexões entre Fariseus e a Teologia da Prosperidade
Troca de Favores (Meritocracia): Ambos os sistemas criam a ideia de que Deus "deve" abençoar o fiel em troca de sua conduta (fariaseus) ou de seu dinheiro (teologia da prosperidade).
Externalização da Fé: A espiritualidade é medida por resultados visíveis — seja a guarda de rituais ou o acúmulo de riquezas — em vez de uma transformação interna.
Foco no "Eu": O objetivo principal torna-se a satisfação pessoal, reconhecimento e conforto material, em contraste com a mensagem da cruz, que envolve renúncia e sacrifício.
Avareza Vestida de Religião: Em ambos os casos, a busca por ganhos financeiros é disfarçada com um discurso de piedade e bênção divina.
VII. Jesus confrontou a teologia da prosperidade.
A mensagem e o ministério de Jesus confrontam diretamente os princípios da teologia da prosperidade. Enquanto a teologia da prosperidade ensina que a fé garante riqueza material e saúde, Jesus enfatizou valores espirituais, sacrifício e desapego às riquezas terrenas.
Aqui estão os pontos de confronto entre os ensinamentos de Jesus e a teologia da prosperidade:
Prioridade ao Reino, não ao material: Jesus ensinou em Mateus 6:33 a buscar primeiro o Reino de Deus, prometendo a provisão das necessidades básicas, e não a acumulação de riquezas ilimitadas.
Abertura ao Sofrimento: Ao contrário da teologia da prosperidade, que muitas vezes vê a pobreza ou a doença como falta de fé, Jesus destacou que seus seguidores poderiam enfrentar tribulações, e que o sofrimento não é um sinal de desamparo divino.
O Modelo do Servo: Jesus alertou para não seguir o modelo de "senhor" (busca de poder e grandeza), mas seu próprio modelo de servo, que veio para servir e dar a vida, não para ser servido.
Perigo das Riquezas: Jesus frequentemente alertou sobre o perigo do amor ao dinheiro, afirmando que é impossível servir a Deus e a Mamom (riquezas).
Motivação dos Seguidores: Jesus confrontou quem o seguia apenas por interesse material (como após a multiplicação dos pães), destacando que a fé verdadeira vai além da satisfação de desejos materiais.
Portanto, a perspectiva de Jesus centra-se no "tesouro no céu" e na generosidade, enquanto a teologia da prosperidade é frequentemente centrada no ser humano e no acúmulo material.
Jesus foi vitimado pela teologia da prosperidade
De acordo com perspectivas teológicas tradicionais e críticas, a teologia da prosperidade deturpa o evangelho ao focar em riquezas materiais, enquanto Jesus viveu de forma simples e servil.
Aqui estão os pontos principais que embasam essa visão:
Vida de Humildade, não de Riqueza: Diferente da premissa da teologia da prosperidade, que associa a fé à riqueza material, Jesus viveu uma vida simples e ensinou o desapego. Ele destacou a importância de servir e amar a Deus, não de buscar bens materiais como prova de bênção divina.
A "Teologia da Retribuição" é Rejeitada: A teologia da prosperidade muitas vezes sugere uma "troca" (fogueira santa, votos, dízimos) para obter bênçãos financeiras, o que é visto como uma bajulação de Deus, e não uma fé genuína.
Foco na Vida Eterna: A mensagem de Jesus centrava-se na salvação, no perdão dos pecados e na vida eterna, e não na promessa de prosperidade financeira nesta vida.
Exemplo dos Apóstolos: Figuras como Paulo, um grande representante de Cristo, não prosperaram materialmente, o que contradiz a ideia de que a fé leva necessariamente à riqueza.
O Sofrimento como Parte da Vida Cristã: A teologia da prosperidade falha em explicar o sofrimento e as dificuldades, que são parte da experiência humana, inclusive para os fiéis.
A teologia da prosperidade é considerada por muitos como um "falso evangelho" por colocar o homem e seus desejos materiais no centro, em vez de Deus. Ela subverte a mensagem de um Jesus que se fez servo para salvar a humanidade.
Jesus se opôs a ambos os pensamentos ao enfatizar que o Reino de Deus não se baseia em acúmulo material, mas em justiça, misericórdia, fé e na renúncia de si mesmo.
VIII. Igrejas que pregam a teologia da prosperidade
A Teologia da Prosperidade é disseminada principalmente por denominações neopentecostais, focando na promessa de riquezas materiais e saúde em troca de dízimos e ofertas. Igrejas notórias no Brasil incluem a Universal do Reino de Deus, Internacional da Graça de Deus, Mundial do Poder de Deus, Renascer em Cristo e Comunidade Sara Nossa Terra.
Principais Igrejas e Contexto
Igreja Universal do Reino de Deus (IURD): Fundada por Edir Macedo, é um dos principais expoentes da "terceira onda pentecostal" que popularizou essa doutrina no Brasil.
Igreja Internacional da Graça de Deus: Liderada por R.R. Soares, frequentemente associa a fé à prosperidade financeira.
Igreja Mundial do Poder de Deus: Fundada pelo apóstolo Valdemiro Santiago, conhecida por campanhas de arrecadação financeira.
Igreja Renascer em Cristo: Liderada por Estevam e Sônia Hernandes, também associada à teologia.
Outras vertentes: Sara Nossa Terra, Igreja Bola de Neve, e ministérios como Nova Vida e Cristo Vive também recebem influências.
Características da Pregação
Foco Material: Promessas de casa própria, carro e superação da pobreza como sinais de bênção divina.
Confissão Positiva: Crença de que o fiel deve "determinar" ou "decretar" sua prosperidade.
Dízimos e Ofertas: Ênfase intensa na contribuição financeira como troca por favores divinos.
Embora popular, essa teologia é criticada por focar em bens materiais em detrimento da mensagem tradicional do evangelho e por atrair fiéis com a promessa de facilidades.
IX. Os equívocos da teologia da prosperidade.
A teologia da prosperidade valoriza bens e dinheiro, ela ensina que seguir a Deus é ter em sua vida, muitas posses e riquezas, é desfrutar das coisas boas deste mundo. Entretanto, não é este o cerne da mensagem cristã. O evangelho é salvação, é ser liberto de uma vida de pecado e seguir rumo à eternidade. Se você serve a Deus pelas coisas que ele pode te dar, você está seguindo tudo, menos o evangelho.
Entenda que o pecado é responsável por todos os males do mundo. O homem pecador está suscetível a todos os tipos de barbáries por causa desta condição. É por isso que o inferno é a consequência daqueles que vivem uma vida de pecados, sendo que o inferno é a ausência de Deus, é estar distante do nosso soberano pai. Quer castigo maior do que este? Contudo, o evangelho nos libertou desta infeliz condição. Paulo, na Epístola aos Romanos, diz:
“pois todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus, sendo justificados gratuitamente por sua graça, por meio da redenção que há em Cristo Jesus” (Rm 3:23-24).
A morte de Cristo nos deu uma nova vida e por isso, o resto perde o sentido. E esta é a mensagem cristã, o evangelho não vende bens e muito menos prosperidade material, ele prega a vida eterna. E quando somos libertos do pecado, não nos tornamos necessariamente prósperos e sim, filhos de Deus. Quer riqueza maior do que esta?
O pecado nos leva a ter uma vida infeliz, é por conta dele que o mundo está um caos, e o inferno é a consequência desta vida de pecado, mas o evangelho veio para nos trazer uma ótima notícia, que é a salvação por meio do sacrifício de Cristo. Este é o resumo da mensagem cristã, quando entendemos, percebemos o quanto a teologia da prosperidade não tem sentido e o quanto a mensagem foge do evangelho de Deus.
Quando você percebe que era cego pelo pecado e destinado a estar eternamente em um lugar totalmente distante de Deus, mas que você foi salvo pela misericórdia e graça deste soberano pai, o resto perde o sentido. Nada vale mais do que o sacrifício que nos libertou do pecado
X. Os perigos da falsa teologia da prosperidade.
A Bíblia ensina que qualquer bênção que o crente recebe vem da graça de Deus (Ef 2:8-9).
Graça é um favor não merecido. Ninguém merece receber bênçãos de Deus, porque todos pecaram. Deus é o dono de tudo, por isso também não podemos “comprar” bênçãos. Tudo que fazemos para Deus é somente um ato de gratidão.
Pois pela graça, sois salvos por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus; não vem das obras, para que ninguém se glorie (Ef 2.8-9).
A Teologia da Prosperidade está correta em ensinar que Deus não quer que o crente viva na miséria.
Deus quer nos abençoar, mas devemos sempre procurar Sua vontade, acima da nossa (Mt 6:10). “Exigir” bênçãos de Deus é como feitiçaria, que tenta manipular forças espirituais em nosso favor.
A Bíblia promete riquezas e sucesso?
Sim, a Bíblia promete riquezas e sucesso, mas de um tipo diferente. Os bens materiais são secundários e não trazem verdadeira paz nem felicidade.
Deus nos promete sucesso e riquezas espirituais, quando nos submetemos a Sua vontade (Ef 1:3).
Os bens materiais são inconstantes, desaparecem com facilidade. Não podemos levar nada material para o Céu. Por isso, a Bíblia diz que devemos dar mais importância aos tesouros espirituais (Mt 6:19-21). Em Deus podemos encontrar amor, alegria, paz, sabedoria, liberdade... Essas são as coisas verdadeiramente importantes.
Deus promete nos dar aquilo que precisamos para:
Viver – Deus ajuda a suprir nossas necessidades, mesmo quando nossa situação financeira é difícil, mas não promete dar tudo que queremos, mas não é necessário .
25 - Já fui jovem e agora sou velho, mas nunca vi o justo desamparado nem seus filhos mendigando o pão.
26 - Ele é sempre generoso e empresta com boa vontade; seus filhos serão abençoados (
Ajudar outros – o crente não pode pensar só em si mesmo; Deus nos dá capacidade para ajudar outras pessoas, com bens materiais ou com bênçãos espirituais – Atos dos Apóstolos 3:5-7
Jesus não era rico. Ele vivia de forma simples e nunca exigiu muitos bens materiais. Os primeiros cristãos preferiam viver todos de maneira mais simples, sem guardar muito dinheiro para si, para ajudar os mais pobres. Os apóstolos passaram por muitos sofrimentos, mas entenderam que esse é o preço de pregar o evangelho corajosamente (2 Co 1:3-5). Nenhum deles pregou a Teologia da Prosperidade.
Mais do que bens e riquezas que são passageiras e acabam com o tempo, o evangelho fala de coisas eternas, sendo que o nosso propósito central é seguirmos a Cristo, é vivermos centrados nos ensinos que Jesus, esta é a verdadeira vida cristã. E ser próspero financeiramente, não resume nem um pouco o que o verdadeiro evangelho nos ensina.
Ou aprendemos a seguir o evangelho de Deus, ou seguiremos amarrados em ensinos humanos, que nos prendem às coisas passageiras, e este é um dos grandes problemas da teologia da prosperidade.