sábado, 2 de maio de 2026

Conhecendo e combatendo a falsa teologia da prosperidade

  Por: Jânio Santos de Oliveira

Pastor e professor da Igreja evangélica Assembléia de Deus em Santa Cruz da Serra

 Pastor Presidente: Eliseu Cadena

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Email ojaniosantosdeoliveira@gmai.com 



 Meus amados e queridos irmãos em Cristo Jesus, a Paz do Senhor!

Vamos abrir a Palavra de Deus que se encontra no evangelho de Mateus 6.25 - 34 que nos afirma:

25 Por isso vos digo: Não andeis ansiosos quanto à vossa vida, pelo que haveis de comer ou pelo que haveis de beber; nem quanto ao vosso corpo, pelo que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o mantimento, e o corpo mais do que o vestuário?

26 Olhai para as aves do céu, que nem semeiam, nem segam, nem ajuntam em celeiros; e vosso Pai celestial as alimenta. Não tendes vós muito mais valor do que elas?

27 E qual de vós poderá, com todos os seus cuidados, acrescentar um côvado à sua estatura?

28 E, quanto ao vestuário, por que andais ansiosos? Olhai para os lírios do campo, como eles crescem; não trabalham nem fiam;

29 E eu vos digo que nem mesmo Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles.

30 Pois, se Deus assim veste a erva do campo, que hoje existe, e amanhã é lançada no forno, não vos vestirá muito mais a vós, homens de pequena fé?

31 Não andeis, pois, inquietos, dizendo: Que comeremos, ou que beberemos, ou com que nos vestiremos?

32 Porque todas estas coisas os gentios procuram. Decerto vosso Pai celestial bem sabe que necessitais de todas estas coisas;

33 Mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.

34 Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal.


Resumo da matéria sobre a falsa teologia da prosperidade

I.       Principais Argumentos sobre a "Farsa" da Prosperidade.

II.     A origem moderna da falsa teologia da prosperidade.

III.  Como funciona a teologia da prosperidade?

IV. Os cinco Erros da Teologia da Prosperidade.

V.    A falsa teologia da prosperidade nos dias de Jó.

VI. O conceito dos fariseus e a teologia da prosperidade.

VII.                      Jesus confrontou a teologia da prosperidade.

VIII.                   Igrejas que pregam a teologia da prosperidade.

IX.  Os equívocos da teologia da prosperidade.

X.    Os perigos da falsa teologia da prosperidade.

 A Teologia da Prosperidade é amplamente considerada uma deturpação do Evangelho, que condiciona a bênção divina a contribuições financeiras (dízimos e ofertas), prometendo riqueza material e saúde em troca. Focada no ganho material, essa doutrina neopentecostal transforma a fé em transação comercial, culpabilizando o fiel pela pobreza e ignorando a soberania de Deus.

I.                   Principais Argumentos sobre a "Farsa" da Prosperidade.

Evangelho Transacional: Trata Deus como um banqueiro celestial, onde fé e ofertas são "sementes" para colher retorno financeiro, o que contradiz o conceito de graça.

1.    A Culpabilização do Pobre.

 Se o fiel não prospera, a culpa é atribuída à sua falta de fé, e não a fatores socioeconômicos, gerando opressão.

Contradição Bíblica: A Bíblia retrata heróis da fé que sofreram perseguições e privações, diferentemente da ideia de saúde e riqueza incondicionais.

Origem e Expansão: A corrente surgiu nos EUA no século XIX e foi popularizada no Brasil na década de 1970, com figuras como Edir Macedo, focando na mercantilização da fé.

2.    Foco no Capitalismo Neoliberal.

 A teologia age como uma ferramenta ideológica que valoriza a riqueza material acima da espiritualidade e da mensagem cristã.

Críticos apontam que essa doutrina é um "falso evangelho", focado no acúmulo de bens e não na mensagem de salvação, desviando os fiéis do verdadeiro propósito da fé cristã

 

II.                 A origem moderna da falsa teologia da prosperidade.

A teologia da prosperidade teve sua origem na década de 40 nos Estados Unidos, seus principais mentores foram Kenneth Hagin, Kenneth Copeland, Essek William Kenyon e outros. No Brasil a teologia da prosperidade chegou na década de 70 e foi promovida principalmente pelas igrejas neopentecostais. Começou com um movimento pequeno, mas sutilmente foi conquistando adeptos e tornando-se cada vez mais uma realidade no contexto religioso.

 De modo que, devemos combater e denunciar esse engodo doutrinário que fundamenta-se na confissão positiva, autoridade espiritual, bênçãos e maldições, promovendo estragos incalculáveis e prejuízos incontáveis.

Observe alguns estragos que são possíveis contabilizar depois de anos de disseminação dessa teologia catastrófica:

 

1-   Descaracterizou a missão da igreja –

 Observe que os adeptos dessa teologia desconhecem a missão integral da Igreja e quando falam de almas associam com números financeiros. Cada vez mais são raras as agencias, ministérios ou promotores missionários. A moda atual são ministérios da benção, prosperidade ou multiplicação. Ninguém mas fala que o Brasil será o celeiro missionário do mundo, a mensagem da prosperidade é que seremos todos ricos e abastados.

2.     Destruiu a esperança no céu.

Como a teologia da prosperidade objetiva promover o paraíso na terra, os crentes não se preocupam mais com as bem aventuranças do céu. Raramente se houve falar em arrebatamento, vida eterna, ou esperança da Glória em Cristo.

 

3.    Relativizou a urgência do amor .

 Uma vez que, o individuo é o centro do culto na teologia da prosperidade, o amor ao próximo é secularizado.

 

4.     Exaltou o materialismo.

 Um dos princípios da teologia da prosperidade é que o sucesso material é sinônimo de comunhão com Deus, de modo que, contraria o espírito do Evangelho de Cristo.

 

5.     Instituiu o culto ao egocentrismo.

A centralidade da teologia da prosperidade é o bem estar do homem e não a vontade de Deus.

 

6.    Banalizou a ortodoxia e a hermenêutica bíblica.

 Para fundamentar suas heresias e farsas, os ministros da prosperidade retiram textos dentro do contexto, criando pretextos para difundirem suas fabulas. É no mínimo lamentável observar pregadores da prosperidade banalizarem os princípios básicos da interpretação bíblica.

O meu objetivo não é fazer apologia a pobreza, mas simplesmente refletir sobre os estragos que são provocados quando as prioridades determinadas pelo evangelho são substituídas. Apenas a titulo de lembrança, Jesus disse – Buscai primeiro o Reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas, Mt 6.33. De modo que, poderia acrescentar mais um tópico aos estragos da teologia da prosperidade

7.    Buscam primeiro as demais coisas, e o reino de Deus é acrescentado.

 

III.               Como funciona a teologia da prosperidade?

Esta falsa teologia funciona como um sistema em pirâmide

O Que é um Sistema em Pirâmide?

Primeiro Passo: Um empresário maneiro quer ganhar muito dinheiro.

Digamos que esse empresário diz à duas velhinhas que se elas venderem o “Uau-Mas-Que-Farsa 3000” dele, elas podem ganhar algum dinheiro para pagar suas contas no petshop. Isso vai custar a elas um investimento inicial de $401,76. E sim, o Uau-Mas-Que-Farsa 3000 é, na verdade, um truque. Mas tudo bem, de qualquer forma, não se trata, realmente, de vender o produto; trata de se recrutar mais vendedores.

 

Segundo Passo: Estas duas velhinhas recrutam mais velhinhas, e lhes contam a mesma lengalenga.

Terceiro Passo: Em algum momento, as pessoas percebem que ninguém quer comprar o Uau-Mas-Que-Farsa 3000, e que ninguém está realmente vendendo qualquer Uau-Mas-Que-Farsa 3000.

Todo o dinheiro que entra está indo diretamente para o topo. Enquanto isso, o empresário maneiro está em seu escritório, gargalhando, e nadando em maços de dinheiro.

Isso é um sistema em pirâmide.

Três Formas em que a Teologia da Prosperidade se Encaixa no Sistema em Pirâmide

O que essa descrição tem a ver com o livro daquele pastor da prosperidade? Tudo, porque a teologia da prosperidade é muito semelhante ao sistema em pirâmide em pelo menos três aspectos.

1. É baseada no sucesso enganoso do cara que está no topo.

Eu fui enganado pela cilada do pastor da prosperidade, da mesma forma como as pessoas são enganadas pelos sistemas em pirâmide. Eles veem o sucesso do cara que está no topo, e pensam: Isso está funcionando para ele, não é?

Sim, está, porque alguém pagou pela casa daquele pastor. Eu! Eu paguei, quando comprei seu livro. E assim acontece com milhares de outras pessoas, quando elas trazem enormes quantidades de capital de arranque à sua porta, todo fim de semana. Em outras palavras, as pessoas que financiam o sucesso do pastor da prosperidade são as que estão na base da pirâmide. Claro que está dando certo para ele. Ele está no topo.

2. É uma mentira contada a pessoas desesperadas.

Como um sistema em pirâmide, a teologia da prosperidade alimenta-se de quem está na pior.

A teologia da prosperidade não é apenas teologia ruim. É uma forma de opressão.

3. Alimenta nossa idolatria.

Assim como o sistema em pirâmide, a teologia da prosperidade não exige necessariamente que as pessoas estejam desesperadas financeiramente. Só é preciso pessoas que sejam suficientemente idólatras. Nós não caímos em sistemas em pirâmide porque somos estúpidos. Caímos neles porque queremos cair neles. Nós queremos o dinheiro, a saúde, e a estima que eles oferecem, e queremos isso rápido. Queremos crer que tudo pode acontecer com o apertar de um “botão da fé” em nossos cérebros. Queremos isso desesperadamente.

Nunca me esquecerei da vez em que desafiei as noções de prosperidade de minha amiga, citando a vida do apóstolo Paulo. Ela me respondeu: “Bem, Paulo não tinha fé suficiente.” Isso é o que os sistemas em pirâmide fazem: Sujeitam-nos aos nossos ídolos. Em seguida, nos cegam para qualquer coisa que nos alerte de que estamos sendo enganados, não importa o quão óbvio seja.

Promessas Reais de Jesus

Não me interpretem mal: Eu creio, de todo coração, que Deus quer me abençoar. Creio que Deus me favorece. Creio que Ele quer que eu tenha a melhor vida possível. Mas creio também que as boas novas de Jesus são muito melhores do que a teologia da prosperidade. A teologia da prosperidade sobe nas pessoas; Jesus desce para nos amparar. A teologia da prosperidade oprime os pobres; Jesus se identifica com os destituídos. A teologia da prosperidade alimenta nossa fábrica de ídolos; Jesus a esmaga com a perspectiva de Sua glória.

As verdadeiras boas novas são estas: Os sonhos de Jesus para nós são muito mais significativos do que a busca por saúde, riqueza e sucesso pessoal. Jesus não oferece auto-estima; Ele oferece a estima de Deus, quando desistimos da auto-aceitação (Mt 5.3). Ele não oferece positividade; Ele oferece o conforto intenso de Deus quando somos abatidos pelo pecado (Mt 5.4). Ele não oferece a casa mais legal da vizinhança; Ele oferece esperança na ressurreição, quando renunciamos ao poder pessoal (Mt 5.5). E Ele não oferece o “favor sobrenatural” dos outros, mas em vez disso, o favor eterno de Deus, quando somos desprezados por Sua causa (Mt 5.10-12).

Jesus é um Deus melhor, um Deus mais significativo. Ele não é um negociante, de pé, no topo da pirâmide, nos prometendo as riquezas do mundo. Ele é um Deus que desce para a base da pirâmide. Ele se deita na poeira e abre os braços na cruz, onde a saúde, a riqueza e a abundância não estão por perto, para, assim, nos oferecer Suas riquezas.

 

IV.             Os cinco Erros da Teologia da Prosperidade.

 

Não importa o nome é usado, a essência da mensagem é a mesma. De maneira simples, a teologia da prosperidade ensina que Deus quer que os cristãos sejam fisicamente saudáveis, materialmente ricos e pessoalmente felizes.

Veja as palavras de Robert Tilton, um dos porta-vozes mais conhecidos desse ensinamento: “Creio que é da vontade de Deus que todos prosperem porque é isso o que vejo isso na Palavra, e não porque isso tenha funcionado maravilhosamente para alguém. Eu não ponho meus olhos em homens, mas no Deus que me dá poder para obter riquezas”. Mestres da teologia da prosperidade incentivam seus seguidores a pedir e até mesmo exigir de Deus prosperidade material.

Cinco Erros Teológicos

Ao conhecer esses erros relacionados a algumas doutrinas fundamentais, espero que você perceba os perigos da teologia da prosperidade com clareza.

1. A  Aliança Abraâmica é um Meio para Direitos Materiais

A aliança com Abraão (Gn 12, 15, 17 e 22) é uma das bases teológicas da teologia da prosperidade. É bom que os teólogos da prosperidade reconheçam que grande parte da Escritura registra o cumprimento da aliança com Abraão, mas é ruim que eles não encarem esse pacto de um ponto de vista ortodoxo. Eles compreendem de forma incorreta o início da aliança; ou melhor compreendem a aplicação do pacto de forma incorreta.

 

Em seu livro “Spreading the Flame [Alastrando a Chama] (Zondervan, 1992), Edward Pousson vê o pacto abraâmico do ponto de vista da prosperidade: “Os cristãos são filhos e herdeiros das bênçãos espirituais da fé de Abraão. (…) Essa herança abraâmica se traduz principalmente em termos de direitos materiais”. Em outras palavras, a teologia da prosperidade ensina que o objetivo principal de Deus na aliança com Abraão era abençoá-lo materialmente. Uma vez que os que creem são filhos espirituais de Abraão, herdamos essa bênção financeira. Como Kenneth Copeland escreveu em seu livro de 1974, “As Leis da Prosperidade”: “Uma vez que a aliança de Deus foi estabelecida e a prosperidade é uma provisão desse pacto, você precisa perceber que, agora, a prosperidade lhe pertence!”.

 

Para apoiar essa reivindicação, os mestres da prosperidade apelam para Gálatas 3.14, o qual se refere à “bênção de Abraão [que chega] aos gentios em Jesus Cristo”. É interessante, no entanto, que nesse apelo a Gálatas 3:14, esses mestres ignoram a segunda metade do versículo: “a fim de que recebêssemos, pela fé, o Espírito prometido”. Paulo está, de forma clara, lembrando aos gálatas da bênção espiritual da salvação, e não da bênção material da riqueza.

 

2. A Expiação de Jesus Estende-se ao “Pecado” da Pobreza Material

Em seu artigo “A Theological Evaluation of the Prosperity Gospel” [Uma avaliação teológica do evangelho da prosperidade], publicado no periódico “Bibliotheca Sacra”, o teólogo Ken Sarles observa como o evangelho da prosperidade afirma que “tanto a cura física como a prosperidade financeira foram previstas na expiação”. Essa parece ser a observação precisa à luz da declaração de Copeland de que “o princípio básico da vida cristã é saber que Deus colocou o pecado, a doença, a dor, o sofrimento e a pobreza sobre Jesus, no Calvário”. Esse entendimento errôneo sobre o escopo da expiação decorre de dois erros cometidos pelos defensores do evangelho da prosperidade.

Em primeiro lugar, muitos dos que apoiam a teologia da prosperidade se equivocam num ponto fundamental quanto à vida de Jesus. Por exemplo, o professor John Avanzini declarou em um programa da emissora TBN que Jesus teve “uma casa boa”, “uma casa grande”, que ele “tinha grande quantidade de dinheiro” e até que ele “usava roupas de grife”. É fácil perceber como uma visão tão distorcida da vida de Cristo pode levar a um entendimento igualmente distorcido quanto à morte de Cristo.

Um segundo erro que gera um conceito defeituoso sobre a expiação está na má interpretação de 2 Coríntios 8.9, que diz: “pois conheceis a graça de nosso Senhor Jesus Cristo, que, sendo rico, se fez pobre por amor de vós, para que, pela sua pobreza, vos tornásseis ricos”. Enquanto uma leitura superficial deste versículo possa levar à crença de que Paulo ensinava sobre o aumento da riqueza material, uma leitura contextualizada revela que ele ensinava, na verdade, o princípio oposto. De fato, Paulo ensinava aos coríntios que, por Cristo ter realizado tanto para eles através da expiação, eles deveriam esvaziar-se de suas riquezas a serviço do Salvador. É por isso que apenas cinco pequenos versos depois, Paulo insta os coríntios a darem suas riquezas aos seus irmãos, necessitados, escrevendo: “[supra] a vossa abundância, no presente, a falta daqueles” (2Co 8.14).

3. Cristãos Ofertam a fim de Obter Compensação Material da Parte de Deus

Uma das características mais marcantes dos teólogos da prosperidade é a sua aparente fixação sobre o ato de ofertar. As pessoas são instadas a ofertar generosamente, confrontadas com declarações piedosas como: “A verdadeira prosperidade é a capacidade de usar o poder de Deus para atender as necessidades da raça humana em qualquer esfera da vida”, ou “Fomos chamados para financiar o evangelho ao mundo”. Ainda que tais declarações pareçam louváveis, essa ênfase na oferta está baseada em motivos que são tudo, menos filantrópicos. A força motriz por trás desse ensinamento sobre a oferta é o que pregador da prosperidade Robert Tilton chamava de “lei de compensação”. De acordo com essa lei — supostamente baseada em Marcos 10.30 — os cristãos devem dar generosamente aos outros porque quando o fazem, Deus retribui com mais. Isso conduz a um ciclo de crescente prosperidade.

Como Gloria Copeland coloca em seu livro “God’s Will is Prosperity” [A Vontade de Deus É a Prosperidade], publicado em 2012: “Dê dez e receba mil; dê mil e receba cem mil. […] Em suma, Marcos 10.30 é um investimento muito bom”. Portanto, fica evidente que a doutrina sobre a oferta, defendida pela teologia da prosperidade, está construída sobre motivos defeituosos. Enquanto Jesus ensinou seus discípulos a darem sem esperar nada em troca (cf. Lc 10.35), os teólogos da prosperidade ensinam seus discípulos a ofertar para receber um grande retorno.

4. A Fé é uma Força Espiritual Autogerada que Leva à Prosperidade

Enquanto o cristianismo ortodoxo entende que fé é confiar na pessoa de Jesus Cristo, os mestres da prosperidade defendem algo completamente diferente. “A fé é uma força espiritual, uma energia espiritual, um poder espiritual. É essa força de fé que faz as leis do mundo espiritual funcionarem”, escreve Copeland em “As Leis da Prosperidade”. “Há certas leis reveladas na Palavra de Deus que regem a prosperidade. A fé as coloca em funcionamento”. Essa é uma compreensão deformada, talvez até mesmo herege, a respeito da fé.

De acordo com a teologia da prosperidade, a fé não é um ato de vontade concedido por Deus, centrado em Deus. Pelo contrário, é uma força espiritual forjada pelo homem e dirigida a Deus. Na verdade, qualquer teologia que encara a fé principalmente como meio de ganho material em vez de justificação diante de Deus deve ser julgada inadequada, na melhor das hipóteses.

5. A Oração é uma Ferramenta para Forçar Deus a Conceder Prosperidade

Pregadores da teologia da prosperidade muitas vezes notam que “Nada tendes, porque não pedis” (Tg 4.2). Eles encorajam as pessoas a orar pelo sucesso pessoal em todas as áreas da vida. Como Creflo Dollar escreve: “Quando oramos, crendo que já recebemos o que estamos pedindo, Deus não tem escolha a não ser atender nossa oração. (…) Essa é a chave para o cristão obter resultados”.

Orar pedindo bênçãos pessoais não está inerentemente errado, é claro, mas a ênfase excessiva do evangelho da prosperidade sobre o homem transforma a oração em uma ferramenta que o crente pode usar para forçar Deus a atender seus desejos. Dentro da teologia da prosperidade, o homem, e não Deus, se torna o ponto focal da oração. Curiosamente, os pregadores da prosperidade muitas vezes ignoram a segunda metade do ensino de Tiago sobre a oração: “pedis e não recebeis, porque pedis mal, para esbanjardes em vossos prazeres (Tg 4.3). Deus não atende pedidos egoístas que não honram seu nome.

Certamente todos os nossos pedidos devem ser colocados diante de Deus (Fp 4.6), mas a teologia da prosperidade se concentra tanto nos desejos do homem que pode levar as pessoas a fazerem orações egoístas, superficiais e banais que não trazem glória a Deus. Além disso, quando combinada com a doutrina da prosperidade sobre a fé, esse ensinamento pode levar as pessoas a tentarem manipular Deus para conseguirem o que querem — uma tarefa inútil. Isso está muito longe de pedir “seja feita a sua vontade”.

Evangelho Falso

À luz da Escritura, a teologia da prosperidade é fundamentalmente falha. No fundo, é um falso evangelho por causa de sua visão defeituosa da relação entre Deus e o homem. Simplificando, se a teologia da prosperidade é verdadeira, então a graça é obsoleta, Deus é irrelevante, e o homem é o padrão de todas as coisas. Seja falando do pacto abraâmico, da expiação, da fé, ou da oração, os teólogos da prosperidade transformam a relação entre Deus e o homem em uma transação quid pro quo, ou seja, uma troca. Como James Goff observou em um artigo de 1990 para a revista “Cristianismo Hoje”, Deus é “reduzido a uma espécie de ‘servente cósmico’, atendendo as necessidades e os desejos de sua criação”.

Essa é uma visão totalmente inadequada e antibíblica da relação entre Deus e o homem.

 

V.                A falsa teologia da prosperidade nos dias de Jó.

 

A falsa teologia da prosperidade nos dias de Jó, personificada por seus amigos, defendia a "teologia da retribuição", onde a riqueza indicava bênção e a miséria era castigo divino por pecado. A narrativa de Jó combate essa ideia ao mostrar um homem íntegro perdendo tudo, provando que a fidelidade não garante prosperidade material e que o sofrimento não é necessariamente fruto de pecado.

A "Teologia da Retribuição" (Amigos de Jó): Elifaz, Bildade e Zofar acreditavam que se Jó sofria, ele deveria ter pecado gravemente, pois Deus, segundo eles, prospera apenas os justos.

O Erro no Contexto de Jó: Jó refuta a visão de seus amigos de que a riqueza é um indicador automático de piedade e que o sofrimento é um sinal de pecado.

A Realidade Bíblica: A história demonstra que Jó foi um homem íntegro e reto, temia a Deus e se desviava do mal, mesmo na pobreza e na dor.

Contradição com a Prosperidade Moderna: A teologia da prosperidade atual, que associa fé à riqueza, é combatida pela experiência de Jó, que permaneceu fiel a Deus sem receber bens materiais em troca durante sua provação.

A Posição Divina: No final do livro, Deus repreende os amigos de Jó por não falarem a verdade sobre Ele, confirmando que a visão deles sobre a relação entre dor e pecaminosidade estava incorreta.

A "falsa teologia" em Jó consiste em tentar manipular Deus, acreditando que a obediência deve resultar automaticamente em prosperidade material.

 

VI.             O conceito dos fariseus e a teologia da prosperidade.

 

 Embora separados por milênios, compartilham semelhanças notáveis na forma como estruturam a relação entre Deus e os fiéis, frequentemente focando na obediência exterior, mérito e retribuição material.

Abaixo estão os pontos de conexão e as características de cada um:

O Conceito dos Fariseus

Os fariseus eram um grupo religioso-político no judaísmo do Segundo Templo, conhecidos pela sua rigorosa observância da Lei mosaica e das tradições orais.

Justiça Exterior e Aparências: Focavam excessivamente no cumprimento ritualístico (jejum, lavagens, dízimos minuciosos) e no reconhecimento público da sua piedade.

Legalismo e Mérito: Acreditavam que a salvação e o favor de Deus eram conquistados pela obediência rígida à Torá.

Hipocrisia: Jesus criticou severamente os fariseus por valorizarem regras humanas acima da justiça, misericórdia e fé.

Avareza: Alguns relatos indicam que, apesar da aparência religiosa, eram apegados ao dinheiro e exploravam os vulneráveis, como viúvas.

A teologia da prosperidade (ou evangelho da prosperidade) é uma vertente moderna que prega que Deus deseja que os fiéis sejam ricos, saudáveis e bem-sucedidos financeiramente.

Confissão Positiva: Ensinam que falar palavras de fé e visualizar a prosperidade "força" Deus a agir.

Barganha com Deus (Dízimos e Ofertas): A doação financeira é vista como uma semente para colher prosperidade material, com foco emocional no acúmulo de bens.

Triunfalismo: Acredita-se que o verdadeiro cristão não passa por dificuldades financeiras ou doenças; a pobreza é vista como sinal de falta de fé ou desobediência.

Exploração: Frequentemente, líderes dessa corrente enriquecem às custas da situação precária dos fiéis.

Conexões entre Fariseus e a Teologia da Prosperidade

Troca de Favores (Meritocracia): Ambos os sistemas criam a ideia de que Deus "deve" abençoar o fiel em troca de sua conduta (fariaseus) ou de seu dinheiro (teologia da prosperidade).

Externalização da Fé: A espiritualidade é medida por resultados visíveis — seja a guarda de rituais ou o acúmulo de riquezas — em vez de uma transformação interna.

Foco no "Eu": O objetivo principal torna-se a satisfação pessoal, reconhecimento e conforto material, em contraste com a mensagem da cruz, que envolve renúncia e sacrifício.

Avareza Vestida de Religião: Em ambos os casos, a busca por ganhos financeiros é disfarçada com um discurso de piedade e bênção divina.

VII.           Jesus confrontou a teologia da prosperidade.

 

A mensagem e o ministério de Jesus confrontam diretamente os princípios da teologia da prosperidade. Enquanto a teologia da prosperidade ensina que a fé garante riqueza material e saúde, Jesus enfatizou valores espirituais, sacrifício e desapego às riquezas terrenas.

Aqui estão os pontos de confronto entre os ensinamentos de Jesus e a teologia da prosperidade:

Prioridade ao Reino, não ao material: Jesus ensinou em Mateus 6:33 a buscar primeiro o Reino de Deus, prometendo a provisão das necessidades básicas, e não a acumulação de riquezas ilimitadas.

Abertura ao Sofrimento: Ao contrário da teologia da prosperidade, que muitas vezes vê a pobreza ou a doença como falta de fé, Jesus destacou que seus seguidores poderiam enfrentar tribulações, e que o sofrimento não é um sinal de desamparo divino.

O Modelo do Servo: Jesus alertou para não seguir o modelo de "senhor" (busca de poder e grandeza), mas seu próprio modelo de servo, que veio para servir e dar a vida, não para ser servido.

Perigo das Riquezas: Jesus frequentemente alertou sobre o perigo do amor ao dinheiro, afirmando que é impossível servir a Deus e a Mamom (riquezas).

Motivação dos Seguidores: Jesus confrontou quem o seguia apenas por interesse material (como após a multiplicação dos pães), destacando que a fé verdadeira vai além da satisfação de desejos materiais.

Portanto, a perspectiva de Jesus centra-se no "tesouro no céu" e na generosidade, enquanto a teologia da prosperidade é frequentemente centrada no ser humano e no acúmulo material.

Jesus foi vitimado pela teologia da prosperidade

De acordo com perspectivas teológicas tradicionais e críticas, a teologia da prosperidade deturpa o evangelho ao focar em riquezas materiais, enquanto Jesus viveu de forma simples e servil.

Aqui estão os pontos principais que embasam essa visão:

Vida de Humildade, não de Riqueza: Diferente da premissa da teologia da prosperidade, que associa a fé à riqueza material, Jesus viveu uma vida simples e ensinou o desapego. Ele destacou a importância de servir e amar a Deus, não de buscar bens materiais como prova de bênção divina.

A "Teologia da Retribuição" é Rejeitada: A teologia da prosperidade muitas vezes sugere uma "troca" (fogueira santa, votos, dízimos) para obter bênçãos financeiras, o que é visto como uma bajulação de Deus, e não uma fé genuína.

Foco na Vida Eterna: A mensagem de Jesus centrava-se na salvação, no perdão dos pecados e na vida eterna, e não na promessa de prosperidade financeira nesta vida.

Exemplo dos Apóstolos: Figuras como Paulo, um grande representante de Cristo, não prosperaram materialmente, o que contradiz a ideia de que a fé leva necessariamente à riqueza.

O Sofrimento como Parte da Vida Cristã: A teologia da prosperidade falha em explicar o sofrimento e as dificuldades, que são parte da experiência humana, inclusive para os fiéis.

A teologia da prosperidade é considerada por muitos como um "falso evangelho" por colocar o homem e seus desejos materiais no centro, em vez de Deus. Ela subverte a mensagem de um Jesus que se fez servo para salvar a humanidade.

 

Jesus se opôs a ambos os pensamentos ao enfatizar que o Reino de Deus não se baseia em acúmulo material, mas em justiça, misericórdia, fé e na renúncia de si mesmo.

VIII.        Igrejas que pregam a teologia da prosperidade

 


A Teologia da Prosperidade é disseminada principalmente por denominações neopentecostais, focando na promessa de riquezas materiais e saúde em troca de dízimos e ofertas. Igrejas notórias no Brasil incluem a Universal do Reino de Deus, Internacional da Graça de Deus, Mundial do Poder de Deus, Renascer em Cristo e Comunidade Sara Nossa Terra.

Principais Igrejas e Contexto

Igreja Universal do Reino de Deus (IURD): Fundada por Edir Macedo, é um dos principais expoentes da "terceira onda pentecostal" que popularizou essa doutrina no Brasil.

Igreja Internacional da Graça de Deus: Liderada por R.R. Soares, frequentemente associa a fé à prosperidade financeira.

Igreja Mundial do Poder de Deus: Fundada pelo apóstolo Valdemiro Santiago, conhecida por campanhas de arrecadação financeira.

Igreja Renascer em Cristo: Liderada por Estevam e Sônia Hernandes, também associada à teologia.

Outras vertentes: Sara Nossa Terra, Igreja Bola de Neve, e ministérios como Nova Vida e Cristo Vive também recebem influências.

Características da Pregação

Foco Material: Promessas de casa própria, carro e superação da pobreza como sinais de bênção divina.

Confissão Positiva: Crença de que o fiel deve "determinar" ou "decretar" sua prosperidade.

Dízimos e Ofertas: Ênfase intensa na contribuição financeira como troca por favores divinos.

Embora popular, essa teologia é criticada por focar em bens materiais em detrimento da mensagem tradicional do evangelho e por atrair fiéis com a promessa de facilidades.

 

IX.              Os equívocos da teologia da prosperidade.

A teologia da prosperidade valoriza bens e dinheiro, ela ensina que seguir a Deus é ter em sua vida, muitas posses e riquezas, é desfrutar das coisas boas deste mundo. Entretanto, não é este o cerne da mensagem cristã. O evangelho é salvação, é ser liberto de uma vida de pecado e seguir rumo à eternidade. Se você serve a Deus pelas coisas que ele pode te dar, você está seguindo tudo, menos o evangelho.

Entenda que o pecado é responsável por todos os males do mundo. O homem pecador está suscetível a todos os tipos de barbáries por causa desta condição. É por isso que o inferno é a consequência daqueles que vivem uma vida de pecados, sendo que o inferno é a ausência de Deus, é estar distante do nosso soberano pai. Quer castigo maior do que este? Contudo, o evangelho nos libertou desta infeliz condição. Paulo, na Epístola aos Romanos, diz:

“pois todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus, sendo justificados gratuitamente por sua graça, por meio da redenção que há em Cristo Jesus” (Rm 3:23-24).

A morte de Cristo nos deu uma nova vida e por isso, o resto perde o sentido. E esta é a mensagem cristã, o evangelho não vende bens e muito menos prosperidade material, ele prega a vida eterna. E quando somos libertos do pecado, não nos tornamos necessariamente prósperos e sim, filhos de Deus. Quer riqueza maior do que esta?

O pecado nos leva a ter uma vida infeliz, é por conta dele que o mundo está um caos, e o inferno é a consequência desta vida de pecado, mas o evangelho veio para nos trazer uma ótima notícia, que é a salvação por meio do sacrifício de Cristo. Este é o resumo da mensagem cristã, quando entendemos, percebemos o quanto a teologia da prosperidade não tem sentido e o quanto a mensagem foge do evangelho de Deus.

 

Quando você percebe que era cego pelo pecado e destinado a estar eternamente em um lugar totalmente distante de Deus, mas que você foi salvo pela misericórdia e graça deste soberano pai, o resto perde o sentido. Nada vale mais do que o sacrifício que nos libertou do pecado


X.  Os perigos da falsa teologia da prosperidade.


A Bíblia ensina que qualquer bênção que o crente recebe vem da graça de Deus (Ef 2:8-9). 

Graça é um favor não merecido. Ninguém merece receber bênçãos de Deus, porque todos pecaram. Deus é o dono de tudo, por isso também não podemos “comprar” bênçãos. Tudo que fazemos para Deus é somente um ato de gratidão.

 Pois pela graça, sois salvos por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus; não vem das obras, para que ninguém se glorie (Ef 2.8-9).

 A Teologia da Prosperidade está correta em ensinar que Deus não quer que o crente viva na miséria. 

Deus quer nos abençoar, mas devemos sempre procurar Sua vontade, acima da nossa (Mt 6:10). “Exigir” bênçãos de Deus é como feitiçaria, que tenta manipular forças espirituais em nosso favor.

 A Bíblia promete riquezas e sucesso?

Sim, a Bíblia promete riquezas e sucesso, mas de um tipo diferente. Os bens materiais são secundários e não trazem verdadeira paz nem felicidade.

 Deus nos promete sucesso e riquezas espirituais, quando nos submetemos a Sua vontade (Ef 1:3).

Os bens materiais são inconstantes, desaparecem com facilidade. Não podemos levar nada material para o Céu. Por isso, a Bíblia diz que devemos dar mais importância aos tesouros espirituais (Mt 6:19-21). Em Deus podemos encontrar amor, alegria, paz, sabedoria, liberdade... Essas são as coisas verdadeiramente importantes.

 Deus promete nos dar aquilo que precisamos para:

 Viver – Deus ajuda a suprir nossas necessidades, mesmo quando nossa situação financeira é difícil, mas não promete dar tudo que queremos, mas não é necessário .

25 - Já fui jovem e agora sou velho, mas nunca vi o justo desamparado nem seus filhos mendigando o pão.

26 - Ele é sempre generoso e empresta com boa vontade; seus filhos serão abençoados (Sl 37.25-26).

Ajudar outros – o crente não pode pensar só em si mesmo; Deus nos dá capacidade para ajudar outras pessoas, com bens materiais ou com bênçãos espirituais – Atos dos Apóstolos 3:5-7

Jesus não era rico. Ele vivia de forma simples e nunca exigiu muitos bens materiais. Os primeiros cristãos preferiam viver todos de maneira mais simples, sem guardar muito dinheiro para si, para ajudar os mais pobres. Os apóstolos passaram por muitos sofrimentos, mas entenderam que esse é o preço de pregar o evangelho corajosamente (2 Co 1:3-5). Nenhum deles pregou a Teologia da Prosperidade.

Mais do que bens e riquezas que são passageiras e acabam com o tempo, o evangelho fala de coisas eternas, sendo que o nosso propósito central é seguirmos a Cristo, é vivermos centrados nos ensinos que Jesus, esta é a verdadeira vida cristã. E ser próspero financeiramente, não resume nem um pouco o que o verdadeiro evangelho nos ensina.

Ou aprendemos a seguir o evangelho de Deus, ou seguiremos amarrados em ensinos humanos, que nos prendem às coisas passageiras, e este é um dos grandes problemas da teologia da prosperidade.


terça-feira, 14 de março de 2023

Um anjo descia no tanque de Betesda?

    Por: Jânio Santos de Oliveira

  Pastor e professor da Igreja evangélica Assembléia de Deus em Santa Cruz da Serra

 Pastor Presidente: Eliseu Cadena

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  Email ojaniosantosdeoliveira@gmai.com





 Meus amados e queridos irmãos em Cristo Jesus, a Paz do Senhor!         




Vamos nesta oportunidade meditar na Palavra de Deus no Evangelho de João 5.1-15 que diz:

 

1- Depois disso havia uma festa dos judeus; e Jesus subiu a Jerusalém.

2- Ora, em Jerusalém, próximo à porta das ovelhas, há um tanque, chamado em hebraico Betesda, o qual tem cinco alpendres.

3- Nestes jazia grande multidão de enfermos, cegos, mancos e ressicados [esperando o movimento da água.

4- Porquanto um anjo descia em certo tempo ao tanque, e agitava a água; então o primeiro que ali descia, depois do movimento da água, sarava de qualquer enfermidade que tivesse.

 5- Achava-se ali um homem que, havia trinta e oito anos, estava enfermo.

6) Jesus, vendo-o deitado e sabendo que estava assim havia muito tempo, perguntou-lhe: Queres ficar são?

 7- Respondeu-lhe o enfermo: Senhor, não tenho ninguém que, ao ser agitada a água, me ponha no tanque; assim, enquanto eu vou, desce outro antes de mim.

8- Disse-lhe Jesus: Levanta-te, toma o teu leito e anda.

 9- Imediatamente o homem ficou são; e, tomando o seu leito, começou a andar. Ora, aquele dia era sábado.

10- Pelo que disseram os judeus ao que fora curado: Hoje é sábado, e não te é lícito carregar o leito.

11- Ele, porém, lhes respondeu: Aquele que me curou, esse mesmo me disse: Toma o teu leito e anda.

12- Perguntaram-lhe, pois: Quem é o homem que te disse: Toma o teu leito e anda?

13- Mas o que fora curado não sabia quem era; porque Jesus se retirara, por haver muita gente naquele lugar.

14- Depois Jesus o encontrou no templo, e disse-lhe: Olha, já estás curado; não peques mais, para que não te suceda coisa pior.

15- Retirou-se, então, o homem, e contou aos judeus que era Jesus quem o curara.

 

 

 

O nome “Betesda”, é aramaico. Significa “Casa da Misericórdia”.

 

Durante o tempo de Jesus, o tanque de Betesda estava do lado de fora das muralhas da cidade. Foi lá que Jesus realizou um milagre mostrando que Ele é maior do que qualquer doença humana e que a superstição e o folclore religioso são substitutos tolos e débeis da fé em Deus.

 

A tanque de Betesda foi usado nos tempos antigos para fornecer água para o templo. A menção de “Piscina Superior” em 2 Reis 18:17 pode ser uma referência ao Tanque de Betesda.

 

Em algum momento durante o Período Hasmoneano, um pool adicional foi adicionado ao original.

 

Superstição e Milagres

João nos diz que “um grande número de pessoas com deficiência costumava estar lá – o cego, o coxo, o paralítico” (Jo 5:3).


I. O significado de Alpendre.

Alpendres são entradas, ou portas. Estas cinco portas do tanque de Betesda, muito embora fossem entradas físicas, em um nível espiritual são alegorias que apontam para os primeiros cinco livros do antigo testamento, que foram escritos por Moisés, chamados de Torá e também de Pentateuco.

O Evangelho de João é enfático em dizer que o tanque, próximo à porta das ovelhas, possuía cinco alpendres, cinco entradas:

 

Ora, em Jerusalém há, próximo à porta das ovelhas, um tanque, chamado em hebreu Betesda, o qual tem cinco alpendres (Jo 5.2)

 

1. O que Significa Alpendres em Hebraico?

Em Hebraico, a palavra alpendres é o termo מְבוֹאוֹת mevoôt, que significa introduções, ou preâmbulos, que permitem alguém se mover suavemente para a próxima parte de algo.

 

E era justamente essa a função da Lei de Deus, a condução do povo de Israel ao Messias.

 

De modo que a lei se tornou nosso aio, para nos conduzir a Cristo, a fim de que pela fé fôssemos justificados (Gl 3.24)

 

O Apóstolo João queria trazer o ensinamento de que a Torá, a Lei de Deus, falava de Jesus Cristo. Por meio dos escritos de Moisés, os Judeus estariam aptos a reconhecer quem era Jesus Cristo, se eles realmente obedecessem a Lei, registrada nos cinco livros, as cinco entradas para a graça de Deus.

 

Por que João faz questão de registrar que o tanque tinha cinco alpendres,  no milagre da cura do paralítico de Betesda?

 

Ocorre que nem todos os Judeus da época de Jesus acreditavam nos demais livros da Bíblia (a Tanach em Hebraico – Torá, Neviim e Ketuvim – livros de Moisés, Profetas e Escritos).

 

Nos diversos grupos judaicos do primeiro século (Fariseus, Saduceus, Zelotes, Essênios, Herodianos), os únicos livros de aceitação universal eram os da Torá (Gênesis, Êxodo, Números, Levítico, Deuteronômio).

 

2. Os Alpendres São as Entradas Para a Graça

Então, o Apóstolo João está sinalizando, por meio da Bíblia de aceitação de todos os Judeus, que cada livro escrito por Moisés (representados pelos cinco alpendres), é uma introdução a Jesus.

Todas as palavras da Bíblia apontam para o Messias, o Salvador do Mundo.

Examinais as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna; e são elas que dão testemunho de mim; (Jo 5:39)

 

João usa desse lindo milagre, da cura de um homem que estava em um estado de paralisia, para ilustrar a paralisia espiritual de Israel, que não entrava por nenhuma das cinco portas deixadas por Deus como guia para o Seu povo.

 

Anjo, em Hebraico, é o termo “Malach” (lê-se “malár”), que significa “mensageiro”. A figura do Anjo de Betesda simbolizava o próprio Jesus, o Mensageiro de Deus, que desceu às águas (o batismo de Jesus) para curar o paralítico (Israel).

 

Infelizmente, a maioria deles não entendeu essa alegoria. Não podemos perder essa consciência de que toda a Escritura aponta para Jesus, fala de Jesus, e é pela vida de Jesus que devemos usar como o parâmetro maior de interpretação.

 

Ele é sem dúvida a chave hermenêutica de toda a Bíblia sagrada!

 

Porventura não importa que o Cristo padecesse essas coisas e entrasse na sua glória?

E, começando por Moisés, e por todos os profetas, explicou-lhes o que dele se achava em todas as Escrituras. (Lc 24:26,27)

 

3. Como Era o Tanque de Betesda?

O Tanque de Betesda era uma junção de duas piscinas, ou tanques de “batismo“, um ritual de purificação das impurezas físicas que os Israelitas tinham que fazer, antes de subirem ao Templo de Jerusalém, que ficava muito próximo.

 

Com o tempo, o lugar acabou se tornando um ponto de peregrinação de todos os tipos de doentes, que esperavam um anjo que descia e agitava as águas. Segundo João 5:4, o primeiro a entrar nas águas em movimento, seria curado.

As coberturas proporcionariam sombra para os deficientes que ali se reunissem, mas havia outro motivo para a popularidade do tanque de Betesda.

 

Dizia a lenda que um anjo descia à piscina e “agitava a água”. A primeira pessoa na piscina após a agitação da água “era curada de qualquer doença com a qual estivesse aflito” (Jo 5:4).

 

A Bíblia não deixa claro se de fato isso realmente aconteceu – João 5:4 não está incluído na maioria das traduções modernas porque é improvável que seja original ao texto – em vez disso, a crença supersticiosa provavelmente surgiu por causa da associação da piscina com o templo próximo.

 

 A cidade de Jerusalém sempre foi muito importante por ser considerada à cidade sagrada. Por judeus, cristãos e muçulmanos.

 

Nessa cidade havia uma fonte de água que ficava próximo da “porta das ovelhas”, ou seja, próximo a um mercado de animais. Talvez por essa cidade, ser reconhecida como sagrada, e, portanto, mística.

 

Nasceu a história de que essa fonte possuía águas miraculosas. Dizia-se que um anjo vinha do céu uma vez por ano, agitava as águas e o primeiro doente que mergulhasse, seria curado.

 

Muitas pessoas se aglomeravam aguardando um milagre. Na verdade uma multidão de pessoas inválidas: cegos mancos e paralíticos.

 

Foi construído nessa fonte um pavilhão para abrigar tanta gente, este possuía um alpendre com cinco pavimentos. O lugar foi denominado, ironicamente, de Betesda – que em hebraico significa “casa de misericórdia”.

 

 “Conta-se que muitas famílias, para se verem livres dos doentes, os abandonavam nos alpendres do tanque de Betesda. Os ricos compravam escravos para os ajudarem a entrar nas águas.

 

Alguns alugavam as bordas mais próximas, que possibilitavam melhor acesso. Todos queriam o seu milagre e, lógico, os mais abastados, sagazes e famosos, se sentiam perto da graça”.

 

É óbvio que se os mais abastados ficavam nos lugares de melhor acesso para entrar na água, os pobres e miseráveis ficavam sempre no fundo do pavilhão, sempre por último.

 

Eu sei que é difícil, mas imaginemos a situação: Um lugar que se acreditava que um anjo descia uma vez por ano, mas ninguém sabia a data exata.

 

De repente alguém grita: “o anjo agitou as águas”, e a confusão estava feita, doentes se jogando por todos os lados na tentativa de ser o primeiro a entrar, e novamente aconteceu que, ninguém sabe ao certo quem foi o primeiro e, portanto, não houve cura. Mais um ano de frustração.

 

II. Tanque de Betesda tornou-se Centro Cultural Jerusalém

Foram encontradas no local colunatas do estilo romano e uma pintura de um anjo agitando as águas que segundo os especialistas responsáveis pelo achado comprovam que essa pintura é do período dos imperadores romanos cristãos, fato esse comprovado pelos profissionais químicos atuais, responsáveis por estudos mais profundos utilizando a técnica do carbono 14.

 

Os romanos reutilizaram a estrutura e a aumentaram consideravelmente. Acrescentaram cisternas, bancos nas salas cobertas e, possivelmente, um altar para sacrifícios. O lugar era claramente um santuário onde se tomavam banhos de cura, sob a proteção de Serápis, como mostra as peças arqueológicas descobertas.

 

Afrescos murais representando a cura; ex-voto comemorando as duas funções de Serápis (curas e salvamentos no mar); moedas reproduzindo a efígie de Serápis e da deusa Hígia, filha de Esculápio; uma representação mostrando Serápis como serpente com a cabeça de homem barbado.

 

 O tanque de Betesda ficava localizado próximo a uma fonte que segundo registros, já tinha a função de abastecimento desde o período de Salomão como os mapas utilizados pela autora Karen Armstrong. A primeira menção de ocupação da atual área de Jerusalém, remonta do século X a.C. pelo povo Jebuseu nesse período não tinha referências de águas subterrâneas a parte ocupada pelos Jebuseu se resumia a um elevado bem protegido e com a fonte de Gion.



III. As descobertas arqueológicas


A Jerusalém do século I a.C. reunia vários elementos das culturas anteriores, como babilônicos, persas e helênicos, que as tinha conquistado. O helenismo profundamente difundido pela alta sociedade encontrava forças nas suas bases culturais principalmente quando estava relacionado à cura de doenças, estas eram entendidas pelos povos semíticos como provenientes de demônios crença essa difundida desde períodos remotos.

 

O culto desenvolvido no tanque de Betesda possuiu uma referência no texto bíblico atribuído a João em um período posterior a destruição de Jerusalém mais precisamente na década de 90 d.C. fato esse discutido por historiadores atuais que buscam a comprovação de um Jesus Histórico e que utilizam de textos joaninos para buscar tal referência. Segundo o professor doutor André Chevitarese:

 

“a passagem de João 5:1-9 diz respeito a um individuo com problemas de saúde, de movimento, que está há anos com esse problema, tentando entrar na piscina de Betesda. Jesus se aproximar dele e o cura, sem que ele precise entrar nessa piscina. Isso é a leitura (teológica) do texto.

 

Mas, essa piscina, descoberta quando da ampliação de uma casa no contexto de Jerusalém no final do século XIX, foi escavada em meados do século XX.

 

Para surpresa dos arqueólogos, alguns dados vieram à tona: o primeiro deles é que essa piscina faz parte de um complexo ligado ao santuário de Serápis (Asclépio) que era o deus associado à cura.

 

Ela tem muito pouco (pelo menos o que foi escavado) haver com o ambiente estritamente judaico. Talvez, por isso, Jesus não mandou o homem mergulhar na piscina; ele o curou ali mesmo na borda.

 

 Este era um santuário do deus da cura, Asclépio, e parece ter muito mais relação com as guarnições multiétnicas romanas estacionadas em Jerusalém, o que não quer dizer que ele também não possa ter atendido a judeus helenizados”.

 

O helenismo provocou uma intensa troca cultural, que veio a provocar grandes modificações na estrutura religiosa do povo judeu, entre esses elementos podemos assim observar a presença de cultos de deuses estrangeiros, enraizados no imaginário do povo que, como exemplo pode observar o aglomerado de pessoas que utilizavam o tanque de Betesda fato esse comprovado pelos achados arqueológicos, o sitio arqueológico encontrado possuía mais de 5.000 m2 a importância das construções indica que se tratava de lugar público.

 

O local foi encontrado durante as reparações e escavações da Basílica Santa Ana em 1888 pelo professor arqueólogo, Dr. Conrad Shick, localizado atualmente no bairro Mulçumano em Jerusalém, no século I, segundo o historiador Flávio Josefo esse bairro era chamado de Betesda o tanque ficava próximo da Porta das Ovelhas e da Fortaleza Antônia englobado pela terceira muralha construída inicialmente pelas ordens do rei Agripa I (41-44 d.C.), muralha essa que teve sua construção embargada pelo Imperador Claudio no ano de 44 d.C. e finalmente completada no ano de 66 d.C. pelos judeus revoltosos.

 

IV.  Jesus vai ao Tanque de Betesda


Jesus em uma de suas visitas á cidade de Jerusalém, resolveu ir até o tanque de Betesda e diante de toda essa situação deplorável, ele desviou sua atenção dos mais ricos, dos mais capazes e dos que menos precisavam da cura; dirigiu-se para um dos cantos esquecidos de Betesda e encontrou um homem que esperava por seu milagre há trinta e oito anos.

 

Jesus aproximou-se do paralítico e perguntou: “você quer ser curado?”. O paralítico respondeu o que era óbvio: “Senhor, não tenho ninguém que me ajude a entrar no tanque quando a água é agitada. Enquanto estou tentando entrar, outro chega antes de mim”. Nesse mesmo instante Jesus curou o paralítico e este começou andar.

 

 As pessoas afirmavam que o anjo descia até o tanque anualmente, mas ninguém sabia a data exata. Irrequietos, os doentes mais hábeis saltavam, esporadicamente, para se anteciparem ao anjo. A confusão era constante. Os que se sentiam melhor, corriam pelos corredores gritando “aleluia” e outros, nervosos e frustrados, desmentiam os milagres. Vez por outra, levantavam-se profetas prevendo o dia preciso em que o anjo visitaria o local.

 

Certos doentes jaziam por anos e anos em total mendicância, esperando o momento da cura que não chegava nunca. O estado de alguns era deplorável. Escaras cheiravam mal e piolhos podiam ser vistos a olho nu nos cabelos de certas mulheres.

 

Diante dessa realidade tão perversa, Cristo passou ao largo dos mais capazes, dos mais ricos e dos que menos precisavam de cura; dirigiu-se para um dos cantos esquecidos do tanque de Betesda e encontrou um homem que esperava por seu milagre há trinta e oito anos. Ninguém sabe seu nome, mas, com certeza era um pobre; sua família, ocupada com a sobrevivência, se esquecera dele fazia algumas décadas.

 

Jesus aproximou-se do paralítico e perguntou: “Você quer ser curado”? Ele respondeu dentro da lógica que aprendera: “Senhor, não tenho ninguém que me ajude a entrar no tanque quando a água é agitada. Enquanto estou tentando entrar, outro chega antes de mim”. De um só fôlego, Jesus ordenou: “Levante-se, pegue a sua maca e ande”. Imediatamente o homem pegou a maca e começou a andar.

 

A passagem de Jesus pelo tanque de Betesda aconteceu num sábado, o dia sagrado dos judeus, porque ele tinha um propósito: mostrar que a religião se preocupa, prioritariamente, com a sua estabilidade. Os religiosos sobrevivem da ilusão e não têm escrúpulos de gerar falsas expectativas em pessoas fragilizadas.

 

Quando aquele senhor abandonou o tanque de Betesda com a sua maca nas costas, Jesus deixou uma mensagem para a cidade de Jerusalém: "Os milagres que procedem de Deus não premiam quem souber se mostrar hábil, santo ou rico – Deus não faz acepção de pessoas, nem busca transformar os espaços religiosos numa corrida desenfreada pela bênção onde só os mais fortes sobrevivem".

 

 O tanque de Betesda é metáfora que lembra a humanidade que Deus olha graciosamente para os desfavorecidos, para os que não têm a menor possibilidade de se safarem dos torniquetes perversos da injustiça, para os mais indefesos – órfãos e viúvas, por exemplo.

 

Cristianismo deve, portanto, assumir o compromisso de continuar visitando os campos de exilados (Darfur), as clínicas de Aids (África do Sul), as periferias miseráveis das grandes cidades (Brasil) para anunciar a mais alvissareira de todas as notícias: Deus não se esqueceu dos pobres.


V. Qual o verdadeiro sentido do tanque de Betesda?


Contudo, constatamos que, o tanque nada mais era que uma espécie de “Aparecida do Norte” de sua época. Judeus que acreditavam em algo obviamente inexistente.

 

Um homem amparado pelo Senhor da misericórdia (6-9). Desanimado por não ter ajuda; mas, que em Jesus encontrou forças;

 

- Diariamente, as pessoas que tinham enfermos em casa, os traziam e os depositavam ali como se fosse lixo. Alguns até ficavam de acompanhante, outros mais abastados pagavam escravos para que servissem seu parente doente. Jesus, o Senhor da cura, estava na “Casa da Misericórdia”, mas não foi percebido, pois preocupados consigo mesmos, estavam à espera do movimento das águas.

 

- Neste ambiente competitivo havia muita discussão e brigas. Os mais fortes eram privilegiados. Este homem, sem ter ninguém que o ajudasse era sempre o último. Estava sempre em último lugar.

 

Então Cristo lhe perguntou “Queres ser curado”? A pergunta de Jesus poderia parecer obvia, mas não era. Pois, o perigo da dor prolongada é desistir da cura e ir levando do jeito que dá.

 

- Por ter esperado tanto tempo sem que ninguém o ajudasse entrar na água, bem que poderia ter perdido a esperança na cura.

 

Foi assim que Jesus o encontrou. Desamparado, apático, desanimado e decepcionado com o mundo.

 

Talvez a esperança pudesse ter dado lugar à mágoa e a falta de recurso o levasse a por a culpa nos outros. Mas Jesus, que sempre foi amigo e sempre ajudou aquele que carece de ajuda, foi seu amigo. Jesus foi a sua força. Com Jesus ele se levantou. “Jesus lhe disse: Levanta te, toma o teu leito e anda.

 

Imediatamente, o homem se viu curado e, tomando o leito, pôs-se a andar”.

Jesus o curou sem pedir nada em troca, apenas por sua Graça e misericórdia.

 

No terceiro momento vemos:

3. Um homem abençoado após receber a misericórdia (10-18)

Que passou a incomodar o mal; mas, que em Jesus encontrou direção.

 

- Jesus sempre disse que veio para aliviar a dor e a tristeza do necessitado. Para ele, até outras tarefas poderiam ser deixadas de lado (como no caso de Marta e Maria), mas a de compadecer-se do próximo não se poderia deixar.

 

Por isso ele ajudou sem se importar se era sábado. Quanto ao homem, quando estava doente ninguém se importava com ele, mas depois de passaram a persegui-lo.

 

Qualquer veria aquela ocasião para a alegria e o agradecimento. Mas, sempre tem “os do contra”. Aqueles que o olhavam o brilho de Jesus com inveja. Para estes, um homem andando com uma cama nas costas era um prato cheio para as criticas.

 

Os religiosos judeus chegaram a conclusão que quem levasse uma agulha ou alfinete em sua roupa era pecador. Por isso, o homem foi advertido pelos judeus por estar carregando o leito no sábado.

 

Porém o homem rejeitou a advertência ao responder: ”Quem me curou disse: Toma o teu leito e anda”. Era como se dissesse: “se ao cumprir a ordem recuperei a saúde, como pode essa ordem ser errada”?

 

- O mal passou a persegui-lo, mas em Jesus ele obteve a direção. Mais tarde, quando Jesus encontrou o homem no templo lhe disse: “Já que está curado não peque mais para que não lhe aconteça algo pior”.

 

Este conselho de Jesus tem sentido, pois havia no intimo do coração Judaico uma premissa: “toda enfermidade do homem vem pelo pecado do homem, se, o homem foi curado seria porque seu pecado foi perdoado”. Por outro lado sempre houve gente que usou o amor, o perdão e a graça de Deus como desculpa para pecar.

 

Sempre houve aqueles que pecavam confiando na abundância da graça (Rm 6.1-18). Por isso, este homem, agora curado, poderia argumentar: “bom já que eu encontrei alguém que me libertou do pecado e me curou, posso continuar pecando e conseguinte sendo curado”.

 

Então, além da cura Jesus também dá a direção. Porém, antes ele não sabia que o havia curado, agora ao saber teve que relatar para as autoridades.

 

Então os religiosos foram a procura de Jesus para ouvirem dele a defesa. 

A defesa de Jesus foi surpreendente.

 

“Meu Pai não deixa de trabalhar no dia de sábado”. Certo autor comentou: “Durante o sábado o sol brilha; os rios correm; as pessoas nascem e morrem como durante qualquer outro dia; tudo é a obra de Deus”.

 

Jesus disse: “Se o Pai dá amor e misericórdia todos os dias; como não darei”.

 

Ao mesmo tempo em que um ato de misericórdia de Jesus é capaz de conquistar pessoas para a fé também faz com que os adversários se enfureçam.

 

O verdadeiro sentido desta mensagem é totalmente relacionado ao fato de Jesus estar passando por ali. Se Jesus não passasse por Betesda, a mesma nem mesma seria inclusa ao texto bíblico, mas de fato os autores notaram a importância desta mensagem, a qual poderia nos ajudar muito nos dias de hoje!

 

Enquanto o povo ficava de hora em hora esperando por um movimento nas águas, (os quais não relatam de fato ter tido êxito em curas) o próprio Deus andava entre eles. Enquanto seus olhos estavam fixados num tanque em busca de uma cura física, a própria Cura andava entre eles.

 

Isso demonstra o quanto o povo apegava-se nos valores físicos, procurando a necessidade de materializar algo para que pudessem acreditar na cura.

 

Jesus mostra que as velhas práticas somente têm valor histórico, Ele muda todas as coisas.

 

Jesus mostra-nos que os sacrifícios do Antigo testamento não são mais necessários. Não existe mais a necessidade de mergulhar sete vezes para receber a cura, é simples, puramente simples, apenas levante e ande!

 

Até hoje temos visto o povo que padece por esperar em algo que nunca lhe proporcionará realmente um milagre. Tantos como aquele aleijado assentados a beira de uma lenda, esperando com que ela se torne verdadeira.

 

O paganismo vem cegando vidas em torno de todo o mundo. Dentro da própria Igreja podemos enxergar tudo isso!

 

A intenção e fundamento deste texto não é fazer com que sua fé seja amornecida ou apagada, o verdadeiro sentido deste texto é levar a sua fé na direção correta.

 

Direcione sua fé naquele que anda em nosso meio até os dias de hoje, o verdadeiro Cristo que está vivo para sempre! Deixe de esperar que alguém te ajude á levantar quando Jesus já está estendendo suas mãos em seu favor á muito tempo! A verdadeira oportunidade não era daquele que se lançava nas águas após o movimento dela, a verdadeira oportunidade era daquele que lançava-se nos braços de Cristo o verdadeiro Salvador.

 

Você já teve esta oportunidade hoje? Então o que faz aí parado?

 

LEVANTE-SE E ANDE!

 

Jesus provou que o deus da cura não é Esculápio e sim Ele mesmo, o Senhor Jesus! Amém!